Atendimento respeitou a cultura da família, que celebrará o nascimento com o boroturé na aldeia
Aos 30 anos, Hatawaki Javaé, da etnia Javaé, deu à luz a Kássia Esõiru na Maternidade Dona Iris, em Goiânia. A família estava na capital para o acompanhamento do pré-natal e, após o nascimento da bebê, retornará para a aldeia Canuanã, localizada no município de Formoso do Araguaia (TO). O idioma tradicional do povo é o Inarubé.
O parto foi normal, decisão respeitada pela equipe da unidade. Mesmo falando pouco português, Hatawaki se sentiu acolhida durante todo o atendimento.
Segundo a coordenadora de enfermagem da Maternidade Dona Iris, Maressa Fernandes, o cuidado prestado leva em consideração as especificidades de cada paciente. “Nós buscamos oferecer um atendimento humanizado, respeitando as escolhas da mãe e também os aspectos culturais de cada família. É importante que cada mulher se sinta segura e acolhida durante todo o processo”, afirmou.
O nascimento de Kássia Esõiru carrega um significado especial para a família: o pai, Kássio Idjoriwê, também nasceu na Maternidade Dona Iris. Filho de mãe indígena e pai branco, ele afirma que a escolha pela unidade foi também uma forma de manter essa conexão. “Para mim foi bom. Eu trouxe minha filha para nascer aqui também, onde eu nasci”, destacou.
Após a alta, a família retornará à aldeia Canuanã, onde pretende criar a filha em um ambiente mais tranquilo e próximo das tradições do povo Javaé. Na comunidade, Hatawaki trabalha com artesanato e mantém vivas as práticas culturais.
Quando voltarem para a aldeia, a família pretende realizar o boroturé, ritual celebrado após o nascimento de uma criança. Conforme o costume, são oferecidos presentes aos adultos da comunidade como forma de partilha e celebração pela chegada do novo membro.








